Toda a região marcada pela presença dos cariris, hoje muito distintitivamente assinalado em sua toponímia, no extenso arco de serras dos Cariris Velhos e dos Cariris Novos, respectivamente, nas divisas entre Paraíba e Pernambuco e entre Paraíba e Ceará;
Kariri ou Cariri é a designação da principal família de línguas indígenas do sertão do Nordeste e vários grupos locais ou etnias foram ou são referidos como pertencentes ou relacionados a ela. Na literatura especializada, existe uma larga discussão sobre os pertencimentos dos grupos indígenas do sertão à família cariri ou a outras famílias como a tarairiu. Além dessas, existem várias línguas isoladas (yathê, xukuru, pankararu, proká, xokó, natu, etc.). Historicamente, esses grupos aparecem denominados de modo genérico como tapuias e podem ser vinculados ao tronco macro-jê.
Também aproveitamos para conhecer um pouco mais sobre o problema da seca no sertão e no semiárido!
Projeto simples, barato, porém só começado a implantar ha oito anos! Considerado como o melhor projeto ambiental do Brasil é uma solução definitiva para a falta de água para beber no sertão. Com a construção de cisternas, o programa pretende, em mais cinco anos, transformar de uma vez e para sempre a vida no semiárido.
A ideia é muito simples. O Programa 1 Milhão de Cisternas Rurais (P1MC) pretende, construir uma cisterna – espécie de poço que coleta água da chuva – para cada casa do semiárido nordestino.
As consequências disso? Acabar, de uma vez, com a falta de água para beber no sertão, reduzir drasticamente a mortalidade infantil, aumentar a renda familiar e organizar as comunidades. Consequentemente, enfraquecer o coronelismo, frear o êxodo rural, possibilitar às famílias o cultivo familiar e difundir o respeito pela natureza. Em resumo: mudar, de repente e para sempre, uma verdade que parecia tão antiga e imutável quanto o sertão: a de que não há água suficiente no Nordeste.
Há água, sim. Chove todo ano no semiárido (se não chovesse, não seria “semi”). Mesmo na pior das secas, mesmo nos lugarejos mais esquecidos, a quantidade anual de chuva não fica abaixo de 200 milímetros (a medida se refere à média da altura da coluna de água que se acumula em um metro quadrado). É pouco, mas suficiente para dar água de qualidade para uma família de cinco pessoas beber por um ano. Basta arrumar um jeito de coletar essa água antes que ela suma no chão. E o jeito mais simples é instalando calhas dos dois lados do telhado para conduzi-la para um reservatório de concreto – a cisterna –, onde ela ficará protegida dos parasitas e da evaporação. A água que se acumula lá dá para uma família beber e cozinhar por um ano. Nos anos de seca, ela deve ser usada só para beber. Simples assim.
Simples, mas revolucionário. A ideia é fazer 1 milhão de cisternas – ou seja, suprir completamente a demanda do sertão. Por enquanto, só 4 000 saíram do papel – o projeto começou no final de 2002. Mas o ritmo das construções deverá aumentar exponencialmente, na medida em que mais cidades e ONGs se envolvem, mais patrocinadores se interessam (por enquanto, só o governo federal põe dinheiro, através da Agência Nacional de Águas) e mais governos assumem a construção de cisternas como política pública.
Sem obras faraônicas, o P1MC está mudando de forma radical a vida de milhões de pessoas, ensinando-lhes uma forma nova de se relacionar com o ambiente. A ideia é que é possível conviver com a seca em vez de combatê-la, desde que se entenda o que é a caatinga e que se tire dela os recursos de que a população necessita. Por causa disso, o programa foi escolhido o melhor projeto desenvolvido por ONG na categoria Água do Prêmio Super Ecologia (revista Superinteressante), e, em seguida, eleito para o Grande Prêmio Super (revista Superinteressante) pela maioria absoluta da comissão julgadora – quatro dos sete votos. Ou seja, é o melhor entre todos os 438 inscritos – o melhor trabalho ambiental desenvolvido em 2002 no Brasil, vencendo nomes bem mais conhecidos, como o da Associação Mico-Leão-Dourado e o Projeto Saúde e Alegria, também lembrados pela comissão.
A reportagem da Super (revista Superinteressante) foi ao sertão pernambucano conhecer o P1MC. Quatro horas e meia que liga Recife a Afogados da Ingazeira, no semi-árido, e depois outra hora no banco de trás do jipe que os conduziu, por uma estrada de terra, até a comunidade rural de Tuparetama, um conjunto de 28 casinhas espalhadas pelo Sertão do Pajeú, onde as cisternas estavam sendo construídas. São quase 700 ONGs que integram a Articulação no Semi-Árido Brasileiro (ASA), a coalizão de entidades de 11 Estados – nove do Nordeste mais Espírito Santo e Minas – que criou e está gerindo o P1MC.
A primeira coisa que se percebe é que o programa é muito mais do que construir cisternas. A construção das cisternas não é apenas uma obra útil, é um instrumento pedagógico para ensinar cidadania. Elas não são entregues às famílias como um presente caído dos céus. Quem quiser ganhar uma tem que suar – cavando o buraco de 1,8 metro de profundidade para abrigar a obra, carregando areia e brita. A integração e a participação da comunidade, é fundamental para que as famílias aprendam a valorizar a cisterna e perceberem o ganho social!
Uma das mudanças é que ninguém mais terá que sair andando sob o sol do sertão até o açude mais próximo e quase sempre cheio de vermes que milhões de sertanejos bebem todos os dias. Calcula-se que, em média, uma família gaste uma hora por dia no penoso trajeto entre a casa e o açude – o que dá 30 horas por mês, ou quatro dias de trabalho. Trabalho esse que muitas vezes é feito por crianças e mulheres, às vezes, grávidas e sem estarem adequadamente alimentados! Com as cisternas, muda o status da mulher, aumenta seu tempo livre e sua participação na produção. Percebe-se que não para aí. Outra mudança radical que as cisternas estão trazendo e na ordem política. Tradicionalmente, no semiárido a posse da água é dos poderosos. Cabe aos políticos mandar caminhões-pipa a cada vez que a sede aperta. Isso não sai de graça, claro. Caminhões-pipa são trocados por votos nas eleições. Comunidades que dão poucos votos a quem chega no poder ficam sem água. Esse controle dos recursos hídricos está na base do famigerado curral eleitoral, a prática política que impera em boa parte do Nordeste. Muitos políticos estão incomodados com esse programa!
Na casa de Maria do Socorro da Silva, de 50 anos, experimentei a água da cisterna recém-construída.
Em 2001, o pessoal da ASA fez exames de saúde em uma comunidade de Pernambuco, antes da construção das cisternas. Todos os habitantes – 100% – tinham verminose. Depois do programa, em 2010, os exames foram repetidos. Só 7% estavam doentes. Segundo a Unicef, de cada quatro crianças que morrem no sertão, uma é levada pela diarreia. O programa dará solução ao mais terrível problema de saúde da região. E ainda terá efeitos na educação. Afinal, diarreias são o principal motivo que leva as crianças a perderem aulas.
Outro efeito colateral do P1MC é estruturar as comunidades sertanejas. Um pré-requisito para uma comunidade ser escolhida para ganhar cisternas é mostrar organização suficiente. O lugarejo tem que eleger um líder e participar das reuniões que decidem quais regiões serão agraciadas primeiro. O resultado disso é que, ao final da obra, que dura só duas ou três semanas, o que sobra é um lugar estruturado, pronto para reivindicar outras coisas.
O P1MC também incentiva a organização comunitária com os cursos de dois dias dirigidos a todo mundo que ganha uma cisterna. Os moradores aprendem não só a lidar com a cisterna – mantê-la tampada, tirar as calhas e lavá-las na época da seca, descartar a primeira chuva do ano para deixar limpar o telhado, tratar a água com cloro –, mas têm também noções de ecologia e cidadania. Por exemplo, aprendem como encaminhar suas reivindicações às autoridades, como buscar recursos de ONGs e organismos internacionais para obras sociais. As aulas também discorrem sobre as características ecológicas do semiárido e sobre as melhores maneiras de conviver com o ambiente.
E tem mais: o P1MC gera renda a milhares de pedreiros no Nordeste. Vários deles estão fazendo o curso oferecido pelas entidades que formam a ASA para aprender a erguer as cisternas. E, para cada obra concluída, eles ganham 100 reais. Pode parecer pouco, mas está muito acima da média do sertão (onde os salários são tão baixos que a maior fonte de renda é a aposentadoria rural). Dá-se preferência a pedreiros da própria comunidade.
As cisternas são feitas com placas pré-moldadas de cimento. Trata-se do modelo mais barato que o programa encontrou – algo como 700 reais, incluídos os 100 do pedreiro. O projeto não surgiu em nenhum gabinete com ar-condicionado – foi desenvolvido por um agricultor, a partir do know-how de quem convive com a seca. Essa, aliás, é uma das vantagens do programa. Não se trata de propor soluções de fora para dentro..
O P1MC dá uma nova dimensão ao conceito de “projeto ambiental” – não se trata apenas de proteger a natureza do homem, mas de ensinar o homem a conviver com a natureza. Por tudo isso – pela quantidade infinita de conseqüências, pela forma inovadora de organização, pela visão abrangente do problema.
A seguir mostramos algumas fotos da cidade de Santana do Kariri, do museu paleontológico da UFCE, Campus de Crato, e de alguns sítios arqueológicos que foi possível de encontrar e de visitar. Infelizmente há pouca informação disponível, e muitos caminhos sem sinalização. Mas, mesmo assim, para quem gosta de conhecer esse tipo de cultura, vale a pena perambular por essa riquissima região histórica e de alguns contrastes!
Encontramos muitas casas com o reservatório (conhecidas como cisternas!) para coletar agua de chuva!
Ao fundo, a Chapada do Araripe, região dos Kariris!
Cidade de Santana do Cariri - CE
O sítio arqueologico fomos acompanhado pelo Prof Dr. João Carlos, que nos deu uma aula de palenteologia in loco de uma escavação onde foram encontrados fósseis do pterossauros e outros!
Floresta Petrificada dos Kariris
Geositio Pedra do Kariri
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